sexta-feira, 28 de abril de 2017

Elefantes brancos; Estádios inúteis



Olá, bípedes!

Em 2019 teremos mais uma Copa América e sediada pelo Brasil, o que não ocorria desde 1989 quando a seleção brasileira conquistou o quarto título do torneio ao bater o Uruguai no Maracanã por 1-0, com gol de Bebeto.

Ao todo, são oito títulos verde e amarelos na competição, porém não é sobre isso que quero tratar. O fato de sediarmos mais uma competição internacional e não saber o que fazer com estádios construídos de forma desnecessária geram a seguinte pergunta: Arena das Dunas, Arena Pantanal, Mané Garrincha, Arena da Amazônia... Desses, apenas o estádio da capital federal está na pauta para receber alguns jogos. Os outros, esquecidos, abandonados, inúteis. Verdadeiros elefantes brancos.



De acordo com o noticiado na última quarta-feira pelo Globoesporte.com, a Copa América de 2019, no Brasil, pode ser realizada em sete sedes (Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo e Fortaleza ou Recife) e oito estádios (Mineirão, Mané Garrincha, Beira-Rio, Maracanã, Fonte Nova, Arena de Itaquera e Allianz Parque - já definidas, além da dúvida entre Arena Pernambuco ou Castelão), número inferior ao de doze sedes na Copa do Mundo de 2014. Dessas doze sedes, já sabiamos que quatro delas virariam abacaxis... Verdadeiras carruagens transformadas em abóboras.

Construídas por pura política. Esse foi o motivo para construção de estádios em estados onde não há tanta tradição futebolística, nada contra matogrossenses, amazonenses e brasilienses, mas se a construção de novas arenas nos principais centros de futebol do país já envolveram muita corrupção e lavagem de dinheiro (Haja visto a investigação da Arena Itaquera), quem dirá onde não haveria a menor necessidade de construção deles. Agora, três anos após o Mundial, o prejuízo só dessas três arenas já ultrapassava a assombrosa quantia de R$ 10 Milhões em Fevereiro de 2015.

Segundo o levantamento do Estadão em Janeiro desse ano, os custos mensais das três arenas são de aproximadamente R$ 2 milhões (R$ 700mil na Arena Pantanal e Mané Garrincha e R$ 500mil na Arena da Amazônia) com o desespero para pagar aluguel, receber jogos de eventuais vendas de mando de campo e eventos variados. Quando há jogo local, há pouco público. Quando o Flamengo joga lá, por exemplo, há público. Só que isso não acontece todo dia, mesmo com o intinerário rubro-negro do ano passado.

Mas por quê não aproveitá-las na Copa América? Uma competição menor que o Mundial de três anos atrás e estádios que não vem sendo muito utilizados, por quê não juntar os dois?

1) Logística: Foi um terror para algumas seleções jogarem em Manaus e em Cuiabá devido a dificuldade em chegar nas arenas dessas cidades. Uma competição menor e que tenha menos tempo para viagens, torna-se um problema jogar no Rio de Janeiro e ter que pegar um vôo até a capital amazonense.

2) Corrupção: Ok, parece chover no molhado dizer isso, mas a desculpa para fazer tantas reformas no Maracanã leva a crer que, caso essas cidades venham sediar algum jogo da Copa América, de algum jeito os políticos brasileiros iriam conseguir outro superávit absurdo para deixar as arenas no "Padrão da competição"

3)Questão de justiça: A ideia de expandir a competição por todo o enorme país chamado Brasil é até democrática, mas por questão de justiça, o futebol brasileiro tem os seus grandes centros e neles sim, devem concentrar-se as partidas do torneio. Infelizmente, tenho que admitir: A ideia de "colocar mais estádios nessa lista" foi justamente a desculpa para espalhar a Copa por estados que não tem futebol em um nível minimamente razoável... Por isso, agora existem esses elefantes brancos, estádios inúteis.

Fica a expectativa para saber o que vai acontecer com esses estádios nos próximos anos. Infelizmente não sou otimista quanto a isso, até por saber que pouca coisa será feita pelo poder público. No Mato Grosso, os gestores defendem uma ação federal, com participação de CBF e Governo, para salvar a Arena local. Mesmo com mais de vinte partidas realizadas somente esse ano, não consegue-se cobrir nem 10% dos custos médios segundo os números da Secretaria Adjunta de Esporte e Lazer. A administração do estádio está com o Governo do Estado e os clubes pagam 8% da renda bruta pela utilização do estádio e após o final do Campeonato Estadual de 2016, a renda total foi pífia: R$ 167 mil.

Talvez a declaração do secretário de Turismo do DF defina bem a situação desses estádios. "O nosso estádio é elefante, mas não é branco, não. Ele está corado." Sim, corado de vergonha certamente. Seja por licitação à iniciativa privada, seja por intervenção federal, as arenas clamam por socorro.

Mas parece que esse clamor não será atendido tão cedo... Ninguém ouve os inúteis.


É isso galera!

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Forte abraço e até a próxima resenha!


FONTES:




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